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História do Tráfico
O Brasil desperta interesse mundial no que se refere à riqueza de sua fauna e flora, especialmente quanto às possibilidades financeiras.
A alta biodiversidade é objeto de cobiça desde a época do descobrimento.
Segundo o historiador Eduardo Bueno (1998), durante os 30 primeiros anos após o descobrimento, os barcos portugueses que saíam do Brasil costumavam levar cada um aproximadamente 600 papagaios (Amazona sp), cujas penas serviam para enfeitar vestidos, sombreiros e palácios europeus.
Manter animais silvestres em cativeiro continua sendo um hábito cultural em todo mundo, e são cada vez mais constantes as incursões em nosso país em busca de animais para suprir as demandas do tráfico nacional e internacional.
Movimentação Econômica
O tráfico de animais silvestres é o terceiro maior comércio ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas.
Movimenta aproximadamente US$ 10 bilhões ao ano, e o Brasil participa desse mercado com aproximadamente US$ 01 bilhão ao ano.
O quadro de pobreza social e a falta de alternativas econômicas contribuem para estimular este tráfico, envolvendo quase todos os segmentos sociais.
Devido às discrepâncias regionais, as regiões de menor poder aquisitivo desempenham o papel de principais fornecedoras de espécies da fauna e flora silvestres, existindo cidades do interior do Nordeste onde o tráfico de animais silvestres representa a principal fonte de renda da população.
Espécies Ameaçadas
Na lista oficial de animais brasileiros ameaçados de extinção (Portaria Nº 1.522, de 19 de dezembro de 1989) são reconhecidas 108 espécies de aves, de 14 ordens diferentes.
Entre elas estão a arara azul (Anodorhynchus hyacinthinus), papagaio de cara roxa (Amazona brasilienses), ararajuba (Aratinga guarouba), ararinha azul (Cyanopsitta spixii), pica-pau-rei (Campephilus robustus), e sabiá-pimenta (Carpornis melanocephalus).
O comércio de aves contribuiu para o declínio populacional de várias dessas espécies.
Comércio
Basicamente são três as modalidades do comércio ilegal: animais para lojas de mascotes, animais para coleções particulares e zoológicos, e animais para fins científicos.
As aves silvestres estão incluídas principalmente nas duas primeiras categorias, sendo que entre as mais comercializadas estão as seguintes espécies: arara azul (Anodorhynchus hyacinthinus), arara canindé (Ara ararauna), papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), papagaio de cara roxa (Amazona brasilienses), tucanuçu (Ramphastos toco), araçari (Pteroglossus beauharnaesii), e pássaro preto (Gnorimopsar chopi), dentre outras.
Os psitacídeos estão entre os mais cotados, sendo o papagaio a ave mais comercializada no Brasil e no exterior, ficando as araras em segundo lugar.
Impacto do Tráfico
O impacto do tráfico sobre o equilíbrio ambiental é significativo: segundo avaliações técnicas, o comércio ilegal é a segunda principal causa da redução populacional de várias espécies nativas, depois da redução de habitat devido ao desmatamento.
Em termos absolutos, calcula-se que o tráfico seja responsável pelo desaparecimento de 12 milhões de animais silvestres por ano no Brasil.
Em geral, para cada dez animais traficados, apenas um chega ao seu destino final, sendo que nove acabam morrendo no momento da captura ou durante o transporte.
Os meios de transporte são extremamente precários, e os animais são mantidos em malas com fundo falso, caixas de papelão, pacotes de jornais e tubos de pvc, dentro dos compartimentos de carga de ônibus, caminhões e porta-malas de automóveis, onde passam fome, sede, frio e mal conseguem respirar.
De acordo com entidades ambientalistas brasileiras, não são raros os casos de empresas aéreas internacionais que saem do Brasil e chegam ao seu destino carregando até 12.000 aves mortas.
Todos os animais traficados sofrem, além dos danos e males associados ao precário acondicionamento e transporte, agressões utilizadas pelos traficantes que incluem práticas como, por exemplo, de furar os olhos de aves, para não enxergarem a luz do sol e não cantarem, evitando chamar a atenção da fiscalização, e até administração de calmantes e bebidas alcoólicas para que pareçam dóceis e mansas.
Além do sofrimento descrito acima, os animais, durante o transporte e mais tarde durante o período de cativeiro, são submetidos a condições insalubres e a densidades altas, além de contatos com animais oriundos de diversas regiões geográficas.
Desta maneira, freqüentemente são expostos a doenças contagiosas e endoectoparasitas.
Criadouro Apoena
Partindo de todas as crueldades acima citadas, o Criadouro Comercial Apoena foi criado com a finalidade de reproduzir papagaios, araras e tucanos em cativeiro, incentivando assim o comércio legal, com o objetivo de diminuir, ou até mesmo acabar com o comércio de aves silvestres oriundo do tráfico.
O Criatório conta com acompanhamento técnico constante de uma médica veterinária para oferecer às aves condições adequadas de manejo e conservação da saúde.
As aves são submetidas periodicamente a análises clínicas e laboratoriais, onde cada ave tem suas medidas morfométricas tomadas, e são coletadas amostras de fezes, sangue, penas e secreções (cloaca e traquéia) de uma amostra do plantel para realização de análises diagnosticas laboratoriais e assim manter um maior controle de possíveis infestações por endo- e ectoparasitas, assim como infecções por bactérias e outros microorganismos.
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